quinta-feira, 11 de julho de 2013

PROGRAMA A VOZ DO AMADORISMO - RÁDIO CULTURA


Em referência aos programas de rádio, merece a devida consideração o Sr. Leônidas Rodrigues Dias, pois ele é o comandante do mais antigo programa de divulgação do esporte amador do Paraná, “A Voz do Amadorismo”, que é atualmente transmitido pela Rádio Cultura AM 930 de segunda à sexta, das 12h00 às 13h00.
Segundo informações colhidas no contexto dos assuntos relatados pelo programa e da matéria publicada no jornal Folha de Tamandaré, do período de 22 a 31 de março de 2013. A origem deste programa se deu na década de 1950 na velha Rádio Marumbi. Em 1966, seu Leônidas começa a fazer parte do programa, e em 1968, “quando o programa estava saindo do ar, desapareceria, porque dois líderes da mesma na época trocaram de emissora. Leônidas foi chamado pelo Dr. Tobias de Macedo Jr., que solicitou que fizesse empenho para comandar A Voz do Amadorismo “mesmo que fosse uma vez”

A emissora, Rádio Marumbi, de propriedade da família Tobias de Macedo, foi vendida a Rinoldo Cunha, este também ao vender à emissora, chegou para Leônidas e explicou o seguinte: “A nossa rádio está vendida, será tomada apenas por programas evangélicos, acabou o futebol na Marumba, mas este programa A Voz do Amadorismo é considerado de Utilidade Pública, pela Lei Municipal nº 1.956, de 30 de março de 1957. Assim, gostaria que você o comandasse mesmo que por pouco tempo. Este programa era da Rádio Marumbi, agora é seu (...)”.
Mesa onde é apresentado o programa a Voz do Amadorismo, no qual tive a honra de participar dia 11/07/2013 como personalidade da semana.  Na mesa Rene, Antonio e Leônidas Dias/Foto: Antonio Kotoviski, 2013.  

FOLHA DE TAMANDARÉ, nº 752, 23 a 30/11/2012, p.03.

OS MIGRANTES FORÇADOS

A história do município de Almirante Tamandaré foi construída em diversos momentos e por diferentes grupos de pessoas, mas que se inter-relacionaram e produziram uma realidade que gerou um complexo e bonito contexto cultural.
Porém, merece atenção alguns grupos de pessoas não tinham por objetivo viver aqui e por efeito construir uma história na cidade. Pois, a chegada de muitas pessoas não foi voluntaria, mas sim forçada!  
Esta condição foi relatada na “Tribuna dos Minérios, janeiro de 1970, nº 28” na reportagem “Erradicação de favelas em Curitiba esta prejudicando o município tamandareense”, que denunciava a seguinte condição:
“Na gestão do sr. Ivo Arzua como prefeito de Curitiba foi iniciada a erradicação das favelas dos bairros curitibanos.
Pelo que se sabe, os favelados eram levados e deixado em localidades afastadas da Cidade Sorriso em caminhões da prefeitura local.
Já naquela ocasião Cachoeira foi o local preferido para este tipo de despejo. Mas com a mudança de prefeito de Curitiba notou-se uma trégua neste sentido; no entanto agora reiniciou-se esta atividade com muito animo. E Cachoeira continua sendo o ponto predileto para o abandono dos menos favorecidos pela sorte.
Semanalmente Cachoeira recebe inúmeras mudanças desses infelizes trazidos por caminhos daquela prefeitura. Os caminhões chegam com este povo, alguma madeira velha, chegam ao local, geralmente capoeira, esvaziam o veículo e boa sorte...
Disto tudo o que mais se lamenta, é que o município de Almirante Tamandaré do qual Cachoeira e subordinado, ser tão desprovido de recursos para dar a estes infelizes o que realmente precisam, e o que nos parece, nem um acordo entre o prefeito de Tamandaré e de Curitiba foi feito; de uma coisa sabemos: de que a condução que realiza este transporte pertence a Prefeitura de Curitiba, e o fazem com autorização assinada; disto temos provas”.
Infelizmente, a cidade de Almirante Tamandaré colhe contemporaneamente as consequências desta atitude de 40 anos atrás que se agravaram e se manifestam na condição da baixa vida das pessoas, problemas ambientais, violência, problemas de infraestrutura,..., ou seja, o legado deste ato foi a gênese das favelas existentes no município. 


Antonio Ilson Kotoviski Filho é professor de História, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador e poeta. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

COLÉGIO ESTADUAL JARDIM PARAÍSO

A 15 anos leciono História e Geografia no Colégio Estadual Jardim Paraíso, que se localiza no Bairro Restinga Seca/Almirante Tamandaré-PR, onde apesar de ter sido uma grande fazenda no século XVIII e posteriormente assentamento de imigrantes poloneses, hoje não lembra nada daqueles tempos. Já que ele na década de  1980 foi explorado por imobiliárias passando a receber um grande fluxo de migrantes regionais. 
Diante deste quadro histórico a década de 1980 foi um campo onde brotaram muitas escolas estaduais no município. Sendo que a gênese do Colégio Estadual Jardim Paraíso teve início na data de 1982, quando foi solicitada junto a Secretária Municipal de Educação Floripa Perussi Lovato para que autorizasse e fornecesse as dependências da Escola Municipal Novos Horizontes para o funcionamento de uma Escola que atendesse o ensino de 5ª a 8ª. Fundada no real argumento que a distância de deslocamento que os alunos que concluíam a 4ª série tinham de fazer até o Colégio Ambrósio Bini, era muito grande e desmotivadora. Sendo assim, este fato gerava elevadas taxas de abandono do estudo[1].
No ano letivo de 1984 por força da Resolução nº 7489 de 24 de outubro de 1984 e publicado no Diário Oficial do Estado na data de 08 de novembro de 1984 era autorizado o funcionamento do ensino de 1ª Grau nos períodos diurnos e vespertino. Porém, só no ano de 1991 a Resolução 1019/91 de 14 de março de 1991 autorizou o ensino no período noturno[2].
Devido à crescente demanda de alunos, até 1996 a Escola Estadual Jardim Paraíso compartilhou o mesmo espaço do estabelecimento da Escola Municipal Novos Horizontes (contemporânea Escola Municipal Eurípedes de Siqueira). Pois, naquele ano foi entregue o prédio estadual que atende até este momento o Colégio Estadual Jardim Paraíso. No entanto, por falta de espaço na Escola Novos Horizontes. O prédio Estadual acolheu até o final de 1999 duas turmas da escola municipal[3].
Na data de 1998, a Diretora Rita Joseli da Cruz encaminhou o pedido  de reconhecimento do Ensino Fundamental, sendo este aprovado em 08 de outubro de 1999 e reconhecido sob a luz da Resolução nº 4142/1999 e publicado no Diário Oficial do Estado em 07 de dezembro de 1999. Neste mesmo ano devido à procura e a necessidade de se implantar o Ensino Médio, o qual logrou êxito com a autorização expressada pela Resolução nº 719/1999 de 04 de fevereiro de 1999, e posteriormente publicado no Diário Oficial do Estado.
Em relação à história da Escola Municipal Novos Horizontes (localizada em outro endereço no Bairro), a qual se confunde com a própria trajetória do Colégio Estadual Jardim Paraíso, sendo que a instituição pioneira foi municipalizada em 1991. A qual foi redenominada por Lei Municipal em 2004, sendo o patronato entregue como justa homenagem ao Prefeito e Tabelião, o saudoso Eurípedes de Siqueira. Em 2007 contava com 475 alunos. Em 2011 recebeu ampliações em sua estrutura.
Professor Antonio Kotoviski entregando o livro "Relatos de um Tamandareense" ao Diretor do Colégio Jardim Paraíso, Leonine Leal/2012. (Foi notícia na FOLHA DE TAMANDARÉ).


[1]              COLÉGIO ESTADUAL JARDIM PARAÍSO. Projeto Político Pedagógico. p.05
[2]              Idem.
[3]              Idem.

terça-feira, 9 de julho de 2013

FOLHA DE TAMANDARÉ n° 750, 09 a 15/11/2012

Seminário seráfico Santo Antônio de Padua

Em referência as comemorações dos 85 anos da presença dos freis capuchinhos no município, será tecido um resumo sobre a sua histórica “casa” estabelecida no Botiatuba desde 1935.
A história dos capuchinhos segundo o Informativo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, “Brasinha, setembro 2012, nº 142”, p. 8, informa que em 1º de janeiro de 1927 os freis capuchinhos das Mercês receberam a incumbência de zelar pastoralmente pelas capelas da Vila de Tamandaré, Votuverava (Rio Branco do Sul) e Assungui de Cima. Enquanto a sede dos freis permanecia em Curitiba (Mercês), alguns deles percorriam toda essa região a cavalo.
Em decorrência das necessidades de atender a demanda de formações de novos sacerdotes e continuar promovendo o trabalho capuchinho foi idealizado a construção de um seminário. Segundo Frei Dionysio Destéfani (Secretário Provincial) o local da construção da nova instituição foi inicialmente escolhido pelo Frei Inácio de Ribeirão Preto e seus conselheiros. Com a visita do Ministro Provincial dos Capuchinhos de Veneza o Frei Jacinto Ambrosi de Trieste em fevereiro de 1933, o Custódio Provincial Frei Inácio aproveitou a oportunidade para levá-lo conhecer o possível local (Botiatuba) para a construção de um seminário. O Ministro Provincial ficou impressionado com que viu e aprovou a escolha. Posteriormente a visita, Frei Jacinto ao participar da reunião do Conselho da Custódia em Jaguariaíva em 23 de fevereiro de 1933 expôs a possibilidade de se construir um seminário no Botiatuba, o qual teve resposta favorável. Principalmente porque o terreno a ser comprado foi ofertado pela metade do que valia pela senhora Aida Teixeira de Freitas (benfeitora dos Capuchinhos), o que venho a ocorrer com a carta de autorização de 04 de maio de 1933.
Com a aprovação do projeto apresentado por Frei Inácio de Ribeirão Preto junto aos superiores maiores de Roma e de Veneza tem inicio na data de 02 de outubro de 1933 a obra sem maiores problemas ou dificuldades, pois, a mesma só foi possível graças aos recursos advindo da Itália e de doações de famílias ricas curitibanas e tamandareenses mais a colaboração da comunidade local que ajudava de acordo com suas possibilidades.
Na data de 15 de janeiro de 1935 é inaugurado o Seminário Santo Antônio, sendo o celebrante da missa inaugura o Arcebispo D. João Francisco Braga com posterior benção do prédio.
Inicialmente foram responsável pelo Seminário os srs: Diretor: Frei Tarcísio Mastena de Bovolone; Vice-Diretor Frei Beda Toffanello de Gavello; professor Frei Teófilo de Thiene e dois “irmãos” leigos: Frei Galdino Miotto de Vigorovea (cozinheiro) e o brasileiro Frei Ângelo de Rozulem de Santo Antonio da Platina (porteiro).
Por efeito da grandiosidade da obra, o prédio até 1979 funcionou como centro administrativo da Paróquia. Atualmente, funciona como casa de retiro.


Antonio Ilson Kotoviski Filho é professor de História, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador e poeta. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

CONHECER A HISTÓRIA!

Todos se preocupam com a história e por efeito pesquisam. Porém, poucos percebem isto porque a sua aplicabilidade pratica é tão comum que se quer é considerada como História. No entanto, no contexto de uma simples conversa a história já esta sendo contada, pois são descrito fatos, acontecimentos íntimos, resenhas de jogos que aconteceram, especulações politicas fundadas em informações de fonte diversas,...

A necessidade de se conhecer algo começa com questões simples que norteam a pesquisa histórica, ou seja: Quando?, como?, onde?, por que?, quem? 

Porém, existem história que ilustram livros, outras que são esquecidas e outras que ficam apenas guardada na lembrança.

É neste contexto que comecei a escrever sobre a história da cidade Almirante Tamandaré onde moro. Pois, raciocinei que não bastava eu conhecer a história do mundo e do Brasil se eu desconhecesse a história do lugar onde moro, da minha família, da região, do bairro,... 

Por efeito, não descobri apenas histórias cotidianas, mas de notoriedade paranaense. E para minha satisfação, descobri que não saciei apenas a minha curiosidade, mas norteie outros a fazerem o mesmo.    

domingo, 7 de julho de 2013

PESQUISA HISTÓRICA.

Pesquisar e escrever história, não importando se de uma cidade cidade ou de um fato não é tão simples como se apresenta. Pois, não basta ler livros e transferir toda as informações que se ache necessário para fundamentar uma pesquisa. É mais que isto, pois toda fonte deve ser tratada e verificada se suas informações são fundamentadas ou se eram especulações da época. Ou seja, um livro não é garantia de informações coerentes, apesar destas informações nortearem caminhos e novas fontes a serem desbravadas.

A princípio a fonte mais segura são as documentais, principalmente as de compra e venda de imóvel e cobrança de tributos. No entanto existem fontes que merecem uma atenção maior que são as oriundas do poder público, igreja e associações. Pois, estes apesar de relatarem com uma grande porcentagem de fidelidade um fato, podem esconder um contexto a ser verificado. Porém, eles são confiáveis. 

Posteriormente outra fonte muito segura para informar fatos e circunstâncias são os jornais de época, que mesmo sendo uma reportagem tendo por base uma informação oral, elas recebem credibilidade porque foram colhidas no momento e não anos depois. No entanto esta fonte possui um problema que merece atenção. Eis que a imparcialidade no que tange a informações politicas sofre distorções, pendendo para quem esta no poder ou contra (depende do jornal). Para interpretar um jornal de época é necessário conhecer a história da época, ou seja, montar um quebra cabeça e entender a ação de cada personagem, para entender o contexto a ser registrado na pesquisa. Pois, existem fatos que são notórios mas contado com diferentes versões. Por este motivo, para se evitar erros de pesquisa é recomendado a se prender ao fato geral e evitar suas particularidades.

Porém, o maior problema que merece muita atenção é a pesquisa oral. Pois, ela só deve servir como norteamento da pesquisa. Ou seja, assunto a serem investigados. E nunca como informação principal. 

Pois, a oralidade carrega um contexto do ponto de vista do interlocutor que se prende a sua realidade. Ou seja, é muito comum, entrevistar pessoas que repetem o que seus avos contavam. Não que seja mentira, mas existem naturais distorções que muitas vezes não se configuram com a realidade apresentada em documentos, noticiários e outras entrevistas, apesar de tecerem comentários sobre um mesmo fato.

A partir desta superficial introdução é notória a interligação das fontes, pois uma trás a informação para complementar a outra, seja apresentando uma informação ou confirmando a mesma.
No entanto existem vezes que lugares, pessoas, elementos geográficos homônimos causam uma falsa ideia de se tratarem de assuntos ligados a pesquisa em questão,...

Para escrever história não basta ter vontade, é necessário dominar técnicas, métodos, e um amplo conhecimento no que tange geografia e outras ciências auxiliares. 

Outro norteamento importante é que o investigador deve separar fatos comuns (que servem para descrever uma realidade padrão) de fatos notórios (que aparecem nas pesquisas). Contar uma mesma realidade por diferentes interlocutores é superficialidade disfarçada. Pois, não acrescenta nada, porque só confirma uma condição. O geral é o povo (que não deixa de ser lembrado), e o especifico é o fato que transcende o cotidiano, que quebra a rotina. Independente se é uma pessoa ou coisa.

Imagem não é prova, mas uma das provas. Pois, ela deve sempre ser periciada e contextualizada. Verificada seu contexto, fonte,...

A partir disso irei tecer uma critica de forma cientifica e com respeito que merece atenção. Existem muitas pesquisas acadêmicas de história que serviram de requisitos para muitos conseguirem o grau de bacharel, mestre, especialista, doutor e até pós-doutor que exploram assuntos sobre o Paraná e por efeito a região e até a cidade de Almirante Tamandaré, que infelizmente apenas transcreveram informações sem a devida pericia das mesma. Ou seja, são textos formalmente perfeitos, mas seu conteúdo imperfeito. Escrevo isto, porque também pesquisei muitas monografias, dissertações e teses. Por efeito, descobri muitas falhas ligado ao que foi supracitado. Nesse contexto alerto para que as fontes de onde se originou as informações sejam sempre pesquisadas e verificadas, pois, elas sempre apresentam um horizonte novo. Só uma questão, que tipo de banca está avaliando e carimbando com status de credibilidade estas questionáveis pesquisa. História é para historiador, não para aventureiro? Por que a turma não vai tentar ser advogado, ou fazer pesquisa jurídica sem diploma ou com a carteirinha da OAB? É para pensar!   

Eu escrevi sobre a história de minha cidade, cometi erro, pois fontes confiáveis me causaram problemas da informação que escrevi, escrevi novas realidades não bem aceitas, pois, como mudar o que uma pessoa já esta acostumada a escutar desde criança? Descobri muito plagio, fonte citadas erradas, imagens que desapareceram de instituições e foram vinculadas a outros figurões para ocultar o roubo (e o pior é saber que a própria instituição sabe quem fez e se cala!). Fui superficial por falta de informações complementares. 

Não escrevi o que me "mandaram" escrever, escrevi o que tinha contexto probatório. Porque fui responsável. O maior problema de meu livro foi a ortografia e a gramática resultada de uma infeliz troca de arquivo mandada para publicação. Mas, entre erros e acertos, um novo livro vai ser lançado sobre a história de Tamandaré, vai confirmar algumas notórias histórias, vai refutar por efeito outras. Corrigir o que teve problema e consolidar o que já foi contado. 

Se tudo correr bem em outubro o livro Considerações Históricas e Geográficas sobre o Município de Almirante Tamandaré-Pr será lançado. Muita lenda vai virar história, muita "verdade" vai ser confirmada como mentira, e tudo com fonte documental de cartório, arquivo público e periódico de época!      
                         

sábado, 6 de julho de 2013

FOLHA DE TAMANDARÉ, n° 748 - 24 a 31 de outubro de 2012.

Um presente a cidade de Almirante Tamandaré

Neste mês festivo, venho através deste espaço publicar um documento histórico que pereceu ao tempo. Um fragmento inicial e único da história da velha Vila Tamandaré, que por um acaso do destino foi resgatado no processo de pesquisa do livro “Considerações históricas e geográficas do município de Almirante Tamandaré” (a ser lançado em 2013).  
Oficialmente Tamandaré foi instalado em 25 de Janeiro de 1890 como é possível observar na Ata de Fundação do Município que foi preservada graça a sua publicação em duas partes nas edições do jornal curitibano A Republica datado de 7 de fevereiro de 1890, nº32 e 8 de fevereiro de 1890, nº 33, que prestava serviço como “diário oficial do Estado”. Neste contexto, será transcrito na integra o texto original mantendo dessa forma sua grafia de época e erros ortográficos que possivelmente ocorreram na lavratura do momento.
Segue a histórica ata: “Acta da inauguração desta villa Tamandaré e installação da respectiva Intendência Municipal criada por Decretos números quinze e dezesseis de nove do corrente mez e anno. - Aos vinte cinco dias do mez de Janeiro de mil oitocentos e noventa. Primeiro da Republica dos Estados Unidos do Brazil, reunidos na mesma Igreja Matriz da Villa, os intendentes: João Alberto Munhoz, Vidal José de Siqueira, Eloy Artigas de Christo, Antônio Ennes Bandeira, Antônio Vieira Bittencourt , Antônio Candido de Siqueira e João Candido de Oliveira, nomeados pelo Governador deste Estado por Decreto de nove do corrente mez para formarem a Intendência Municipal desta nova Villa, pelo referido Decreto creado, com a denominação de Villa de Tamandaré, tomou a presidência o cidadão João Alberto Munhoz, especialmente designado para esse digo, para dirigir os respectivos trabalhos como se vê do acto do poder competente abaixo transcripto, e a portaria que acompanhou. - Primeira Secção Estado do Paraná. – Palacio do Governo – Curitiba nove de Janeiro de mil oitocentos e noventa. Para os devidos fins remeto-vos as inclusas copias dos Decretos números quinze e dezesseis de hoje datado, o primeiro denominando Villa de Tamandaré a de Conceição do Cercado, e o segundo nomeando uma Intendencia Municipal da qual sois Presidente. – Saúde e fraternidade. – (assignado) José Marques Guimarães. – Ao  Cidadão João Alberto Munhoz, Presidente da Intendencia Municipal da Villa de Tamandaré. Copia. – Decreto numero quinze. – O Capitão de Mar e Guerra José Marques Guimarães, Governador do Estado do Paraná usando das attribuições que lhe são conferidas pelo decreto numero sete, de vinte de Novembro do anno findo. – Decreta. – Art. 4º A Villa da Conceição do Cercado denominar-se-há Villa de Tamandaré, revogadas as disposições em contrários. – Palacio do Governador do Estado do Paraná, nove de Janeiro de mil oitocentos e noventa. – Primeira Republica. (assignado) José Marques Guimarães,  Confere. – J. Ferraz.  – Copia, - Decreto numero dezesseis. – O Capitão de Mar e Guerra José Marque Guimarães Governador do Estado do Paraná, usando das attribuições que são lhe conferidas pelo § primeiro do artigo segundo do Decreto numero sete de vinte de Novembro do anno findo. – Decreta: - Artigo primeiro, é nomeado uma commissão Municipal na Villa de Tamandaré, que se comporá do cidadão João Alberto Munhoz, como Presidente, e dos cidadãos Eloy Artigas de Christo, Antônio Ennes Bandeira, Antônio Vieira Bitencourt, João Candido de Oliveira e Antônio Candido de Siqueira, como membros. – Artigo segundo, a essa commissão compete as attribuições conferidas pela lei de primeiro de Outubro de mil oitocentos e vinte oito ás Camaras Municipais, Sanccionados os seus actos pelo Governo do Estado fica reservado o direito de dissolver a sobre dita commissão logo que os seus serviços não se tornarem mais necessários. Artigo quarto – Ficão revogadas as disposições em contrario – Palacio do Governo do Estado do Paraná, nove de Janeiro de mil oitocentos e noventa, primeiro da Republica (assignado) José Marques Guimarães. Confere. – J. Ferraz. – Na presença do povo tendo antes o senhor presidente designado o respectivo secretario que deve interinamente servir neste acto o cidadão João Candido de Oliveira, por uma solemne proclamação em que assentou o progresso, adquirir sobre o regime Republicano e mais adoptado aos povos cultos e adiantados. – Declaro que a grande Republica dos Estados Unidos do Brazil representa o espirito americano que  constrangido suportava a monarchia – A revolução se fez sobre flores que tapisavão o solo Brazileiro em sua uniformidade de ideias. – Diz que os povos livres e de caractes regem-se por si mesmo e que neste meio civilizado em que nós achamo-nos, e o coração repellem a sujeição de um poder permanente e priveligiado. – Trata aqui e pede á Camara que signifique na acta seu voto e do povo na adhessã que prestão ao illustrado Governador deste Estado, Cidadão Contra-Almirante José Marque Guimarães, representa a vasta comprehensão de um governo recto, sabio e justo. – Assignala ainda o presidente o valor normal do nobre Governador cidadão Marques Guimarães, o invicto militar que deixou o seu nome assignalado na historia por actos de maior heroísmo praticados em defesa da Patria. – Disse que os vindouros recordem-se gratos e tenhão diante de si essa imagem do patriotismo. – Declarou altamente o senhor presidente: “Está installada a Villa de Tamandaré”, nome dado pelo illustre Governador para que seja relembrado o venerando nome do Marquez de Tamandaré, um dos heróes da Esquadra Brasileira na Guerra do Paraguay. – O senhor presidente deu a palavra aos Snrs. Intendentes e mais pessôas para pronnunciarem algumas palavras análogas ao acto, e fallaram os Senhores Eloy Artigas de Christo, e cidadão Leoncio Correia que foram collorosamente apllaudidos: o senhor Leoncio, manifestou-se tão brilhantemente que foi enthusiasticamente apllaudido pelo auditório. – Nesta ocasião o senhor presidente propôz que os dois primeiro actos da Camara fossem os seguintes: - Denominando o Largo da Igreja Matriz. – Marques Guimarães, e a primeira rua Evaristo Gonzaga. – Diz que o primeiro deste nomes significa o marinheiro intrépido que ariotou tantos perigos para chegar a ter um nome que sinthetisa o seu heroismo e o do Dr. Evaristo Gonzaga, significa com enthusiasmo o typo do homem estoico no comprimento de seus deveres, a par de uma illustração e critério que relembram as tradicções históricas de uma ilustre e patriótica família. Esta indicação foi unanime e colorosamente aprovada.
E nada mais havendo a tratar foi de baixo das mais ardentes acclamações encerradas esta acta por mim secretario interino (assignado) João Candido de Oliveira, assignando o senhor presidente, intendentes e cidadãos presentes que quiseram. – João Alberto Munhos, Presidente; Vidal José de Siqueira Vice-Presidente; Antonio Candido de Siqueira, Antonio Gomes Bandeira, Elcy Artigas de Christo, João Candido de Oliveira, Antonio Vieira Bittencourt, Leoncio Coreia, Florencio José Munhoz, Gustavo Won Krúger, Francisco Florencio Ferreira, Meniricio Lemos, João Augusto Stresser, Joaquim Florencio dos Reis, Benedicto Abranches Almeida, José Marcellino Machado, Mario E. Moreira Mendes, João Luciano Cardoso, João de Souza Dias Negrão, Angelina dos Santos Corrêa, Amélia Osorio de Almeida, Polyxena dos Santos Corrêa, Manoel Serapião de Christo, Brazilio Maria Cardoso, Vigilia Osorio de Almeida, Marcelino Liceria Cordeiro, Guilhermina dos Santos Corrêa, Maria da Conceição Ribas, Germanno de Mello Brobst, Roberto Heckvy, Pedro de Oliveira Godoy, Augusto Serfe, João Candido de Lara, Ildefonso Estevão de Christo, Miguel Gamber Filho, Carlos Augusto do Nascimento, Augusto Hodrego, João Evangelista Artigas, Gregor Dosolka, Affonso Bandeira Collin, Miguel dos Santos Corrêa, Alfredo Duarte Castro, Ricardo Lustosa de Andrade, Alexandre Cruz Machado, Antonio Pinto Ribeiro de Faria, Maria Magdalena de Moura, Adolpho Lamenha de Siqueira, João Franco de Moura Leite, Joaquim Araujo Faria, Antonio Baptista de Siqueira, Aprigio Alves, Januario das Chagas Barbosa, João Evangelista dos Santos Ribas, Zacarias Marcellino Machado, Sizinando Ozorio de Almeida, Marcellino Artigas de Christo, Friserup Manjosk, Manoel Antonio Barbosa de Brito Junior, Joaquim Fernandes da Costa, Antonio Anselmo de Araujo, José Duarte de Castro, Firmino do Monte Rodrigues, Cezar de Assis Teixeira, Eleuterio Moreira de Freitas, João Barbosa de Brito, Izaias Fernandes de Lima, Fredulpho Pereira da Silva, Manoel F. de Lima, Elia d’Oliveira Godoy, Joaquim de Souza Machado, Pedro de Paula Vaz, Claudio José Cordeiro, Luiz Guedes Cordeiro, Antonio José Alves d’Araujo,  Pedro Teixeira Alves, Henrique Marcondes Coutinho, Manoel de Paula Cordeiro e João Marinho de Almeida. – Villa de Tamandaré, no Estado do Paraná, 26 de Janeiro de 1890 – E eu Carlos Augusto do Nascimento, secretario effectivo, fielmente extrahio o presente e o subscrivi – O Presidente João Alberto Munhoz”.


Antonio Ilson Kotoviski Filho. É professor de História, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador, poeta e colunista da Tribuna da Barreirinha e Tribuna do Centro. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

ESCREVER A HISTÓRIA DA CIDADE

Contar a história do município, aparenta ser fácil, mas muitas vezes se torna difícil e dificultada. Pois, se torna uma disputa entre quem vai ser o historiador oficial de Almirante Tamandaré. Como se isto existisse e fizesse alguma diferença na ordem do dia. Mas em 1989, em decorrência da centenária comemoração, entrou em pauta na Câmara Municipal um Projeto de Lei, que esclarecia que a data de comemoração de 11 de outubro estava errada e mudava a data comemorativa para 28 de outubro. Mas para se comprovar tal fato, se havia a necessidade de apresentar argumentações históricas para isto. Neste contexto, a Folha de Tamandaré nº 83 de 30 de setembro de 1989, publicou em seu Editorial Tamandaré 100 anos, na página 02 a seguinte frase: “Vereador Jarek pode entrar para a história do município”, da mesma forma foi referenciado um resumo histórico feito por Hermenegildo de Lara[1], neste contexto, seu Harley revoltado, escreveu uma carta a Folha de Tamandaré de 15 de outubro de 1989, onde apresentou seus argumentos contestando tal fato. O qual revelou, que seu pai, já havia feito um resumo histórico, sendo que este foi disposto dentro de um tubo de PVC e enterrado junto à pedra fundamental da atual Prefeitura[2].
De certa forma o vereador Gerônimo Jarek, entrou e fez a história do município, pois, a sua proposição logrou êxito e corrigiu uma injustiça histórica com o advento da Lei nº 31/89, sancionada pelo prefeito Roberto Perussi em 05 de outubro de 1989. A partir deste dia a comemoração oficial da data festiva, se daria no dia 28 de outubro. E o ano de emancipação política, se contaria a partir de 1889[3].  



[1]              FOLHA DE TAMANDARÉ. Tamandaré 100 anos. Ano V, nº 83, 3º de setembro de 1989, p. 02.
[2]              FOLHA DE TAMANDARÉ.  Dr. Harley diz que todos os méritos na realização da pesquisa sobre Almirante Tamandaré são seus/10 de outubro de 1989. Ano V, nº 84, 15 de outubro de 1989, p.06.
[3]              Idem, p. 07.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A BANDEIRA DA CIDADE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Oficialmente, a Bandeira do Município de Almirante Tamandaré carrega a seguinte expressão: na cor verde, a representação das riquezas naturais do município. O azul faz referência ao céu. Ao centro da bandeira figura o brasão do município, já supra explicitado. Sobre o Brasão se destaca em branco a palavra “município” em fonte grande que abrange tanto a parte verde como a azul, representando seu status administrativo. Já sob o Brasão, figura abrangendo a parte verde e azul em fonte grande na cor branca a expressão “Almirante Tamandaré”, fazendo alusão ao nome do município. Esta bandeira foi um legado também da antiga cidade de Timoneira na década de 1950. No entanto, ao invés de possuir as inscrições “Município de Almirante Tamandaré” possui disposta a expressão “Município de Timoneira”.  Esta bandeira foi elaborada pelo professor João Roque Tozin.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

FOLHA DE TAMANDARÉ, nº 745, 01 a 08/10/2012.

Os Ibéricos

Com a oficialização da descoberta do Brasil em 22 de abril de 1500, ficaram oficializadas as expedições de reconhecimento e busca de metais preciosos ou outra coisa que desce lucro em território colonial. Já em 1524 entradas portuguesas pesquisavam o primeiro planalto.
Independente da data, já era notória a presença do “homem europeu ibérico” no litoral próximo as atuais terras paranaenses. No entanto, mesmo nas regiões onde não havia traços de povoamentos, já era sabido que uma das atividades principais dos habitantes da Capitania, era a busca por índios e metais preciosos.
Pois, o que motivava o português vir para a colônia, não era o sonho de uma vida nova no Brasil, mas sim, o enriquecimento, fama e reconhecimento, pelas suas façanhas. As quais lhes trariam o respeito e a honra perdida em Portugal. Ou seja, os  colonos que vieram para o Brasil, e ficaram até a sua independência, não vieram para ficar. Mas para um dia voltarem para Portugal, agraciados de fama e fortuna, como relata Frei Vicente do Salvador, (1965).
No entanto, o problema é que uma grande maioria não voltou, e aqui ficou alimentando o sonho de um dia voltar, e agindo como se fosse um dia voltar, pois, nada faziam para melhorar ou facilitar sua “estadia” em terras brasileira.
Talvez este comportamento explique, porque hoje, muitos dos que passam e em pouco tempo se vão de Almirante Tamandaré para outros locais, nada deixam de colaboração para melhorar a cidade. Pois, “porque fazer se daqui a algum tempo não vou mais morar aqui!” Esta atitude de outrora, hoje ainda é repetida.
Porém, foi este comportamento ingrato, que mais motivou e deu coragem aos pioneiros colonos, a desbravar as terras paranaenses e consequentemente, deixar suas marcas pelos caminhos. Sendo que, na ânsia pela fortuna e fama, muitos esqueceram o tempo, e foram absorvidos e acorrentados pelo chão que vieram “parasitar”.
Muitos arraiais se formaram e caminhos foram abertos, tendo como guia os rios que cortavam o planalto. No entanto, o surgimento dos arraiais (acampamentos de expedições bandeirantes), não visava o povoamento da região. O fato, dos arraiais se tornarem permanente e gerarem pequenos povoados foi uma consequência desencadeada pelos os aventureiros frustrados, que não tinham mais para onde ir, diante do impacto do fracasso.
Porém, se destaca o bandeirante capitão Salvador Jorge Velho que por mais de vinte anos explorou a região, a qual lhe proporcionou a “Descoberta da Conceição” em 1680. Porém, para se descobrir algo, tem que se procurar primeiro. Diante desta condição já era relatado por Ébano Pereira em 1649 a presença de arraiais na região norte de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais com mais de vinte anos de existência. Ou seja, mesmo timidamente e especificamente povoado, a região tamandareense já era conhecida.
No entanto, até inicio do século XIX a região de Tamandaré estava presa a muitas concessões e sesmarias o que inviabilizava um povoamento mais intenso.


Antonio Ilson Kotoviski Filho. É professor de História, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador, poeta e colunista da Tribuna da Barreirinha e Tribuna do Centro. 

terça-feira, 2 de julho de 2013

A LENDA MAIS FAMOSA DA CIDADE.

A cidade de Almirante Tamandaré e Campo Magro compartilham uma lenda de mais de 200 anos que é passada de geração a geração. Esta estória possui ainda traços do tempo da mineração aurífera e não pode ser esquecida. Neste sentido a partir de uma coleta entre os moradores tradicionais temos  ou seguinte:  

"...na localidade da Conceição na época Curitiba, hoje Campo Magro, havia um dono de escravos.  E esse comandante tinha o nome de Gaspar, o mesmo tinha muitos escravos e tiravam ouro do rio Conceição.
Quando foi um dia ele resolveu esconder sua riqueza e mandou fazer um buraco próximo a um riozinho e colocou todo o ouro dentro e perguntou para os escravos se havia algum que teria coragem de cuidar de seu tesouro. Mal terminou de perguntar, mais que depressa um dos escravos que estava ali presente se levantou, abanou com a mão dizendo: Eu, cuido!
E o Sr. Gaspar lhe falou, então fique aqui cuidando de meu ouro. Naquele mesmo instante sacou sua arma e atirou na cabeça do escravo o enterrou  junto com o ouro.
Dizem, que hoje em dia ninguém pode se aproximar do local. Pois, é apedrejado e cai uma forte tempestade ou venta demais.

Apesar disso ser provavelmente uma lenda. Existem muitos que vão verificar se é lenda ou não. Porém, pelo que se sabe, nunca encontraram nada”.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

FOLHA DE TAMANDARÉ nº 742, de 09 a 15/09/2012

CONTANDO HISTÓRIA

Com o objetivo de resgatar, preservar e estimular a busca pela história do município, na data de 17 de agosto de 2011 era lançado o livro “Relatos de um tamandareense”.
Foi uma pesquisa norteada pela oralidade, porém confrontada com documentos legais, que destacaram fatos de relevância no contexto do desenvolvimento das características da cidade.
A pesar das falhas existentes na pesquisa a obra foi bem recebida pela população. Ocorreram críticas, mas foram críticas informativas, sugestivas e corretivas que me alegraram e me incentivaram realizar uma nova pesquisa mais abrangente, o que resultou em algumas surpresas. Outro fato referente a nova pesquisa diz respeito a uma gama maior de fatos relativos aos séculos XVII, XVIII, XIX e início do XX. Praticamente já esta quase terminada a nova obra, denominada de “Considerações históricas e geográficas sobre a cidade de Almirante Tamandaré”, a ser lançado em 2013.
Porém, não fugindo do contexto da coluna, gostaria de citar que a que a história da cidade, pioneiramente foi contada e registrada pela obra oficial “Estudo Histórico – Estatístico – Descritivo do Município de Timoneira”, elaborado por Harley Clóvis Stocchero e Didio Santos em dezembro de 1951. Merece destaque as obras poéticas e crônicas do Acadêmico Harley Stocchero, que carregam em seu contexto fatos do cotidiano de tamandareense.    
No ano de 2000 o Professor Pedro Martim Kokuszka lançou a obra “Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses” e recentemente (2012) também laçou a obra “Botiatuba e seus encantos”. Também merece destaque a “Coleção Infantojuvenil” que sabiamente preserva os contos e lendas tamandareense.
Em 2004, Sérgio Roberto Calado lançou o livro: “Campo Magro: um município para ser conhecido e amado”.      
Ou seja, a cidade tem história registrada e uma rica literatura popular, também imortalizada. Independente se o assunto é sobre imigrantes, um bairro, uma cidade que não existe mais ou uma região territorial que não faz mais parte do município. Pois, cada obra funciona como uma peça de quebra cabeça que aos poucos vai sendo montada para nortear as pesquisas no contexto de atingirem maior qualidade e precisão relativo aos fatos e pessoas que fizeram o seu melhor para melhorar o lugar que deixaram para seus filhos.
Algumas obras que preservam a história e cultura local/Acervo: Família Kotoviski.        
      

Antonio Ilson Kotoviski Filho. É professor de História, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador, poeta e colunista da Tribuna da Barreirinha e Tribuna do Centro. 

domingo, 30 de junho de 2013

FOLHA DE TAMANDARÉ nº 740, 24 a 31/08/2012, p.15.

Autoridade máxima estadual nascido na Vila de Tamandaré

É costume entre a população leiga, considerar o líder do poder executivo (prefeito, governador e presidente) como detentor da mais alta hierarquia. Porém, a Constituição Federal informa diferente, já que o Art. 2º cita: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. Sendo que por efeito esta regra é valida também para os Estados que formam a República Federativa do Brasil.
Diante disso o Governador do Estado, o Presidente da Câmara Legislativa e o Presidente do Tribunal de Justiça do Paraná possuem o mesmo status hierárquico, porém, cada um exercendo sua respectiva competência de função.        
No que tange o Poder Judiciário, se destaca a nível Estadual um filho de Tamandaré que alcançou o cargo de Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Paraná e a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral. Eis, que cito o Senhor Isidoro João Brzezinski, nascido em Tamandaré, em 17 de agosto de 1903, filho de imigrantes poloneses que inicialmente se instalaram na Colônia Lamenha:  Pedro Brzezinski e Paulina Brzezinski.
Em referência as informações prestada pelo TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL através da “Assessoria de Comunicação/ouvidoria” que informou o texto da “Placa Fundamental e Homenagem presente no Fórum Eleitoral Desembargador Isidoro Brzezinski em Toledo-PR”  datado 12 de dezembro de 2004, temos que Isidoro João Brzezinski iniciou sua vida profissional em 1925 como auxiliar de cartório no Registro Civil da 2ª Vara Criminal, passando ser escrevente juramentado e escrivão interino. Em 1927, tornou-se Promotor interino em Paranaguá e no ano seguinte atuou em Clevelândia. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná em 1929 e no mesmo ano atuou como advogado em Curitiba. Tornou-se em 1931 Juiz Municipal de Piraí do Sul, passando depois por Reserva, Mallet e Ipiranga. Aprovado em concurso público em 1938, atuou como Juiz de Direito nas comarcas de Castro, Tibagi, Mallet, União da Vitória, Foz do Iguaçu, Ribeirão Claro, Wenceslau Braz, Ponta Grossa e Curitiba. Nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná em 1962. Tornou-se Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná em 1964 e Vice-Presidente do Tribunal de Justiça no biênio 1967/1968. Faleceu em 05 de julho de 1990.
Como homenagem aos serviços prestados a Justiça do Estado, o artigo 5º da Resolução nº 458/2004 concedeu o patronato do prédio do Fórum Eleitoral de Toledo-PR, inaugurado em 04 de dezembro de 2004.
 Desembargador Isidoro João Brzezinski/Foto: Galeria dos Presidentes do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, s/d

Antonio Ilson Kotoviski Filho. É professor de História, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador, poeta e colunista da Tribuna da Barreirinha e Tribuna do Centro. 

sábado, 29 de junho de 2013

FOLHA DE TAMANDARÉ nº 734, de 09 a 15/07/2012.

LEI COMPLEMENTAR Nº 14 DE 08 DE JULHO DE 1973.

O seguinte texto foi extraído do Capítulo Inicial “Localização Territorial”, presente na futura obra: Considerações Históricas e Geográficas sobre Almirante Tamandaré, iniciada em outubro 2011 e com perspectiva de lançamento em 2013, já que aguarda a realização de alguns eventos importantes relativo à política (eleição) e ao judiciário (inauguração do Fórum).
A localização geográfica do município brasileiro de Almirante Tamandaré se estabelece junto às coordenadas 25° 18' de latitude Sul e 49° 18' de longitude Oeste em relação ao Meridiano de Greenwich. Sendo a Sede municipal o marco referencial.
A partir desta informação o território tamandareense que possui contemporaneamente 191,11 Km² se dispõe sobre o Primeiro Planalto Paranaense, limitado ao Sul pelo território da capital paranaense Curitiba; a Leste pelo território do município de Colombo; ao Norte pela cidade de Rio Branco do Sul; a Noroeste pelo município de Itaperuçu e por fim a Oeste pela cidade de Campo Magro.
Devido a essa localização o município sofreu e sofre efeitos da proximidade com a capital. Porém, esta condição não foi exclusiva dele e da região, já que este era um efeito dos muitos relacionados com o processo de urbanização das grandes cidades e capitais que se desencadeou de forma notória na década de 1970. Em decorrência dessa nova configuração espacial do território nacional, ocorreu o advento da Lei Complementar nº 14 de 8 de julho de 1973 sancionada pelo Presidente da Republica Emílio Garrastazu Medici que expressava o estabelecimento das Regiões Metropolitanas das grandes cidades brasileiras. No que tange esta lei, o parágrafo 6º expressava que o município de Almirante Tamandaré faz parte integrante da Região Metropolitana de Curitiba. Contemporaneamente a partir de informações colhidas junto a COMEC o município se encontra com um grau muito elevado de integração com a Capital do Estado do Paraná.


Antonio Ilson Kotoviski Filho. É professor de História, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador, poeta e colunista da Tribuna da Barreirinha e Tribuna do Centro. 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

FOLHA DE TAMANDARÉ nº 732, 22 a 30/06/2012

ZYS-25 - RÁDIO CULTURA DO PARANÁ - TIMONEIRA


Um fato comum no cotidiano tamandareense nas décadas anteriores a 1971 era a visita de fim de tarde nas casas dos conhecidos que possuíam rádio para escutar a Voz do Brasil e músicas, transmitida legalmente pela rádio emissora ZYS-25. Na época denominada de Rádio Cultura do Paraná, sob responsabilidade do Sr. Gabriel Cubis, que poderia ser ouvida em 500 quilos-ciclos. A qual se localizava na antiga Estrada da Cachoeira (hoje Rua Antonio Johnson nº 3761 (aproximadamente), terreno onde atualmente se encontra uma loja de autopeças). E era abastecida pela energia produzida por um gerador movido por um motor a combustão interna.
Esta rádio era filiada a Rede de Paranaense de Emissoras S/A (antiga Rádio Clube Ponta Grossense S/A). A qual foi solicitada a estabelecer sem direito de exclusividade na cidade paranaense de Timoneira a Radio Cultura do Paraná, sob a luz do Decreto nº 35.655 de 14 de junho de 1954, assinado pelo então Presidente da Republica, o Sr. Getúlio Vargas.
Nesta época seu Antonio Rodrigues Dias (fundador da Folha de Tamandaré) apresentava um programa que tocava música, o qual para descobrir a preferência dos ouvintes, ia de casa em casa verificando que músicas elas gostariam de escutar. Pois, era uma época em que não havia telefone para pedir música como se faz atualmente.   

Antonio Ilson Kotoviski Filho. É professor de História, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador, poeta e colunista da Tribuna da Barreirinha e Tribuna do Centro.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

FOLHA DE TAMANDARÉ, nº 706, 16-31/12/2011, p.08

A Câmara Municipal

A primeira administração governamental da Cidade de Tamandaré foi a Legislativa, estabelecida oficialmente em 25 de janeiro de 1890 junto com a instalação oficial e de fato da autonomia da nova localidade sob o status de município.
Nesta época as Câmaras Municipais exerciam um número bem maior de funções do que atualmente, exercendo de fato as funções da administração pública executiva, legislativa e judiciária. Neste contexto não existia a figura do contemporâneo “cargo de prefeito” que exerce exclusivamente funções do Poder Executivo separadas do Poder Legislativo. Diante deste fato, o que existia era o status de Presidente da Câmara que era o Camarista mais votado pela população entre os Camaristas e que possuía funções específicas de liderança.
Em virtude do município estar iniciando como território autônomo, a primeira Câmara Municipal de Tamandaré, foi nomeada pelo Decreto Estadual nº. 16 de 09 de Janeiro de 1890 assinado pelo Governador José Marques Guimarães que estabeleceu como Presidente o Senhor João Alberto Munhoz auxiliado por Vidal José de Siqueira (Vice-Presidente) e os Camaristas: Antônio Cândido de Siqueira, Antônio Ennes Bandeira, Antônio Vieira Bittencourt, Eloy Artigas de Christo e João Cândido de Oliveira, nos períodos de 1890/1892.

O primeiro Presidente de Tamandaré João Alberto Munhoz casado com Maria Eulalia Moreira Munhoz, presidiu o município tamandareense de 25 de janeiro de 1890 a 19 de junho 1892. Gozava de fato e de direito o posto de Tenente Coronel do Exército. Era maçom fundador e participante da Loja Apostolo da Caridade jurisdicionada ao Grande Oriente e Supremo conselho do Paraná (1902-1920). Foi  Diretor da Secretaria do Interior do Governo do Estado do Paraná em 1894. 
(João Alberto Munhoz, primeiro Presidente da Vila Tamandaré /Foto: Galeria dos Prefeitos)

Para conhecer mais sobre a história de Almirante Tamandaré visite o livro: “Relatos de um tamandareense” no endereço eletrônico:  http://issuu.com/exceuni/docs/relatosdeumtamandareense

Antonio Ilson Kotoviski Filho. É professor de História do Colégio Estadual Jardim Paraíso, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador e poeta.

POR QUE CONTO HISTÓRIA?

Hoje, não irei contar mais um fato sobre a história da cidade de Almirante Tamandaré, mas sim tentar explicar de forma simples e objetiva porque é importante propagar este conhecimento, mesmo que delimitado e específico a região e História do Paraná.

Pois, quando se desbrava a história local, por efeito se conhece uma história mais ampla relacionada a outros fatos históricos de outras regiões e acontecimentos gerais.  

“Conta a Mitologia Grega  que o Céu (Urano) e a terra (Gaia) governavam o Universo. Juntos tiveram vários filhos. Um deles, Cronos, destronou o pai e casou-se com a deusa Reia. Para que nenhum filho seu viesse a tomar-lhe o trono dos deuses, Cronos devorava-os assim que nasciam. Porém, Reia conseguiu salvar um de seus filhos, Zeus, e escondeu-o na ilha de Creta. Quando Zeus cresceu, destronou Cronos e tornou-se o deus supremo, obrigando o pai a vomitar os filhos devorados”.

Nesta breve introdução, Cronos é o tempo. Um devorador de personagens e fatos independente do seu grau de importância. E Zeus representa a luta pela preservação da memória.

Diante disso, é notória a ação do tempo na história da humanidade, mas especificamente na história local. Por este motivo, para que a memória dos fatos e pessoas não sejam devorados pelo tempo (sejam esquecidos), é que existe a ciência História. Independente se critica ou descritiva, ela é uma das matrizes que colaboram com a consciência da humanidade.

Pois, por que repetir o que já deu errado várias vezes no passado? A História mostra acontecimentos bons e ruins e por efeito as consequências dos mesmos. Ela apresenta alternativas, que servem de norteamentos para as futuras gerações.   


Mas a História não é só isso. Ela é cultura e propagação do conhecimento acumulado por milênios. É a preservação da essência de um povo. Nostálgica ou não ela é um dos pilares do conhecimento humano.   

quarta-feira, 26 de junho de 2013

FOLHA DE TAMANDARÉ nº 725 de 1º - 15/05/2012

17 DE MAIO DE 1992

A vinte anos passados, em uma noite de Domingo datada de 17 de maio de 1992, o município de Almirante Tamandaré foi ferido gravemente, virando noticia nacional e internacional. Pois, um tornado da classe EF3 (com ventos superiores a 118 km/h), atingiu uma área de 80 km², arrasando 7,5 Km². Que em apenas pouco mais de 2 minutos deixou uma notória destruição e mortes: sendo que 480 casas foram totalmente destruídas; 105 pessoas foram gravemente feridas; 6 pessoas foram encontradas mortas; mais de 1700 pessoas desabrigadas aproximadamente; além de carros tombados, casas destelhadas, plantações destruídas, árvores arrancadas, poste de energia elétrica arrancados,..., em seu ápice no trajeto Lamenha Grande, Lamenha Pequena, Jardim Bela Vista, Jardim Taiza, Planta Urucape, Cachoeira e Tanguá.
Em 18 de maio de 1992, pela primeira vez na história do município, era oficialmente decretado pelo prefeito Roberto Perussi o Estado de Calamidade Publica. Porém, já na noite do dia 17 de maio, 500 desabrigados foram alojados no Colégio João Candido de Oliveira e receberam cuidados e alimentos da Prefeitura Municipal e Defesa Civil coordenado pelo Coronel Wantuil Borges.
A situação vivida naquele momento pelas pessoas das regiões atingidas gerou comoção nacional. A principal ajuda teve origem no Ministério da Ação Social que destinou para a cidade Cr$ 320.000.000,00 (trezentos e vinte milhões de cruzeiro); a Associação das Senhoras dos Deputados Estaduais doou a Prefeitura Municipal Cr$ 7.000.000,00 (sete milhões de cruzeiros), entregue pela Senhora Niva Sabóia Khury (esposa do Deputado Anibal Khury) acompanhada do Deputado Algaci Túlio. Outra captação de recurso foi a abertura de uma conta no Banestado para o deposito de auxilio aos flagelados (agência 201-X, C/C 5676-5).

O alvorecer de 18 de maio de 1992/Foto: Folha de Tamandaré, nº141, de 18/05/1992.

Antonio Ilson Kotoviski Filho. É professor de História da Escola Estadual Jardim Paraíso, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador, poeta e colunista da Tribuna da Barreirinha e Tribuna do Centro.

terça-feira, 25 de junho de 2013

FOLHA DE TAMANDARÉ nº 723, 16 a 30/04/2012

OS NATIVOS DA TERRA TAMANDAREENSE

Os primeiros seres humanos a povoarem a região tamandareense foram os Tinguis, que significa em nossa língua “nariz afilado”. Os quais se espalhavam por toda a região dos Campos de Coritiba que hoje corresponde a Curitiba e uma parte da Região Metropolitana.
Por ser um povo da floresta, se diferenciava um pouco do povo nativo encontrado no litoral, mas que possuíam a mesma origem Tupi-Guarani. Apesar, deles possuírem a mesma gênese, o povo da floresta (Tinguis), ainda se comportava dentro de um contexto característico seminômade. Ou seja, caçavam, pescavam, coletavam alimentos da mata e conheciam a agricultura, mas a utilizavam apenas como atividade secundaria de sobrevivência e não como a principal. Por este motivo que eram seminômades. Se organizavam em grupos que se abrigavam nas tindiqueras (buraco de tingui) que na verdade eram covas abertas no chão.
Graças, a observação feita dos hábitos alimentares dos tinguis, foi possível identificar vegetais e animais exóticos (já que certas espécies vegetais e animais eram desconhecidos para os portugueses), e a partir deste fato, o colono conseguiu classificar o que era comestível ou não. Um exemplo, é o habito que a população da nossa região possui de se alimentar com o pinhão, fruto da Araucária, árvore símbolo do Paraná. Neste contexto, também se observou a correta utilização da mandioca e sua posterior utilização pelo colono como alimento.      
Em documentos oficiais da época da colonização da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (Curitiba), os Tinguis foram descritos como um povo pacífico, que apesar de andarem nus, não carregavam a malicia do europeu “civilizado”. Eram simpáticos e acessíveis. Tão acessível, que acabaram virando serviçais do colonizador da região.
Em decorrência da exploração de seu trabalho que sofreram no contexto da exploração do ouro e de outras atividades econômicas; do constante contato que tinham com os colonizadores dos povoamentos que iam se formando, devido a sua simpatia, docilidade e inocência, eles aos poucos foram se condicionando civilizado aos moldes dos colonizadores; outros que vagavam foram transformados em escravos pelos bandeirantes; já outros se misturaram a outros grupos indígenas ou até mesmo aos colonizadores, já que eram seminômades; alguns grupos foram catequizados por jesuítas, já que existem marcas da passagem desses sacerdotes no município (Recanto Marista ou Parque Santa Maria) e por fim, a doença trazida pelo europeu trouxe a morte aos grupos mais retirados. Ou seja, os tinguis foram supostamente absorvidos e não exterminados, pela nova realidade que raiva na região.
Neste contexto, o que sobrou dos tinguis foi seu legado genético que muitos moradores da região carregam em seu sangue e a expressam em características físicas e até em costumes e comportamentos herdados deles. Como também é possível perceber de forma notória, o que sobrou de sua língua, nas expressões que denominam coisas, comidas e lugares. Um exemplo é a denominação que recebem alguns bairros tamandareenses: Botiatuba, Pacotuba, Boixininga, Tanguá, Juruqui, Humaitá, Barigui,... No entanto, infelizmente, não existe mais uma cultura pura que represente o Povo Tingui.

Antonio Ilson Kotoviski Filho. É professor de História da Escola Estadual Jardim Paraíso, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador, poeta e colunista da Tribuna da Barreirinha e Tribuna do Centro.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

FOLHA DE TAMANDARÉ, nº 721, 1º a 15/04/2012, p. 11.

NOVENTA E SEIS ANOS DE HISTÓRIA

A construção municipal mais importante, que inclusive é um patrimônio histórico e artístico do Estado do Paraná, desde 25 de março 1994, sob o processo nº 001/93. Inscrição nº 119, Livro do Tombo Histórico, é a Prefeitura Velha. A qual foi construída na gestão do Intendente João Candido de Oliveira em um terreno doado por ele ao município. A inauguração ocorrida na mesma gestão contou em seu ato solene em 26 de março de 1916, com a presença do Presidente do Estado do Paraná, Affonso Alves de Camargo e do Senador da Republica Generoso Marques dos Santos.
Porém, após sua desativação em 1986, na gestão do então Prefeito Ariel Adalberto Buzzato, o prédio da Prefeitura Velha, abrigou a Biblioteca Municipal Santos Dumont, a qual foi remanejada para o bairro da Cachoeira, ocupando o prédio da antiga estação ferroviária. Em seu lugar, foi inaugurada no dia 27 de abril de 2006, com um acervo inicial de 1711 livros a Biblioteca Municipal Dr. Harley Clóvis Stocchero. A qual foi assim denominada, como justa homenagem, ao cidadão filho nato da terra de Tamandaré, que carregou sua origem, no contexto honroso de fazer parte da Academia Paranaense de Letras, na qual foi o 5º ocupante da Cadeira Nº 6.

Coincidência ou não, o poeta, escritor, advogado e funcionário público, seu Harley, faleceu no mesmo dia e mês (26/03/2005) que se inaugurou o prédio em que hoje se localiza a biblioteca que leva seu nome.
Prefeitura Velha década de 1920 /Foto: ESTADO DO PARANÁ. Estado do Paraná, 1923. São Paulo: Capri & Olivero, Empreza Editora Brasil, 1923.


Antonio Ilson Kotoviski Filho. É professor de História da Escola Estadual Jardim Paraíso, Bacharel em História, Especialista em História do Brasil, Mestre em Ciências da Educação, Bacharel em Direito, historiador, poeta e colunista da Tribuna da Barreirinha.