terça-feira, 12 de novembro de 2013

Historiador e escritor Pedro Martins Kokuszka

O Historiador Pedro Martins Kokuszka, nasceu em 12 de novembro de 1947 na cidade de Áurea-RS, é casado com a Professora Flavia Irene Biesek (Flavia Kokuszka). É morador de Almirante Tamandaré há mais de 30 anos. Ele lembra que quando chegou na cidade (setembro de 1980), existiam muitas casas de madeira e o ônibus era vermelho e muito velho, e ele passava só quando não estava estragado, fazia a linha Rio Branco do Sul a Curitiba.
Formado em Administração de Empresas pela FADEPS, Especialista em Economia Agroindustrial pela UEPG, Especialista em Metodologia da Ciências pela Faculdade Espírita de Curitiba e Licenciado em Matemática pelo CEFET.
Profissionalmente, atuou na ACARPA (atual EMATER) desde 1972, Professor da Rede Pública Estadual desde 1985. Incentivador de exposições fotográficas tendo organizado as comemorações dos 120 anos da imigração polonesa na Lamenha Grande, Almirante Tamandaré.
Além de colaborar com a história de Almirante Tamandaré, participou diretamente de muitos fatos históricos no contexto de assessorar os produtores rurais e elaborarem muitos projetos de eletrificação da zona rural tamandareense, os quais foram concretizados pela COPEL. Em referência à esta notória atividade no município, em 24 de outubro de 2008, é agraciado com o título de Cidadão Honorário.
Em seu rol de obras, encontramos: Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses; Áurea Primórdios; Os Poloneses de Gaurama; Lendas de Gaurama, Causos e Contos Gauramenses; Áurea e Suas Comunidades Rurais, Coleção Literatura Infanto-juvenil de Almirante Tamandaré-PR e o livro Botiatuba e seus encantos.
O universo de contemplação das obras do Sr. Pedro se reflete na epígrafe da obra “Nos Rastros dos imigrantes poloneses”:

“Quisera ter encontrado os rastros das carroças.
Mas eles são tantos que se confundem.
Há os de hoje, os de ontem e de anteontem.
Uns mais apagados e outros mais evidentes nas estradas
do Taboão, Botiatuba, São Miguel, Pacotuba e Largo da Ordem.
Quisera adentrar dessa alma polaca e saber o que tanto rezas
a Matka Boska Czenstohowa.
Quisera saber, você, mãe do lenço polaco,
Por que choras enquanto trabalhas ao lado do fogão.
Quisera saber por que esses rastros polacos se apagam tão depressa...”
Flavia Irene Kokuszka, o Escritor Pedro Martim Kokuszka e segurando a obra “Botiatuba e seus encantos” o Cônsul Geral da Polônia em Curitiba, Sr. Marek Makowski que participou do lançamento do livro citado no Bairro do Botiatuba, na data de 15 de junho de 2012/Foto: Anderson Ferreira da Silva, 2012.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A LUTA CONTRA O "LIXÃO".

O problema de se conviver com um novo “lixão”, assustou os moradores tamandareenses, em especial os da região da Cachoeira. Já que em meados de 1989, se propôs a criação de uma Usina de Reciclagem, a qual forçou alguns representantes da câmara municipal e lideranças do município a visitar uma usina de reciclagem em funcionamento em São Paulo. Porém, a lei de autorização para criação da usina de reciclagem na região da Cachoeira não logrou êxito na votação dos vereadores em 01 de março de 1989. Tal fato se deu, principalmente pela característica, modelo e forma de funcionamento da usina que se queria implantar na cidade. E com relevante pressão da comunidade local, sob a liderança do  professor Luiz Romero Piva. 
Na mesma época, se apresentava simultaneamente ao fato supracitado, mais especificamente, 10 de janeiro de 1990, no distrito tamandareense de Campo Magro, um projeto ambiental da Fundação Rural de Educação e Integração (FREI), de recolhimento do lixo que não é lixo de Curitiba, e posterior separação para envio para reciclagem. Que espantou qualquer suspeita de possíveis transtornos ambientais e para a sociedade campo magrense. Esta reunião serviu de parâmetro na decisão de implantação na uma suposta “usina de reciclagem” na Cachoeira, a qual tinha um projeto totalmente divergentes ao apresentado pela FREI.

Tal fato se confirma na contemporaneidade, onde este projeto desenvolvido pela FREI se tornou referencia mundial no processo de reciclagem, sendo um ponto turístico educacional do contemporâneo município de Campo Magro. 

domingo, 10 de novembro de 2013

A ANTIGA CANCHA DE ESPORTES

Um dia desses, parei para descansar na Praça Vice-Prefeito Frederico Manfron, estabelecida pela Lei nº 971/2003 sancionada pelo então Prefeito Cezar Manfron e inaugurada em 19 de junho de 2004. Mas que todos a conhecem como Praça do Skate. Sentado no banco, nostalgicamente viajei, ao tempo da saudosa Cancha de Esportes que ali, exatamente naquele local existia. Tantas recordações, mas algumas se tornam difícil de esquecer. Pois, a memorável cancha, antes da existência do Ginásio de Esportes, era um dos principais locais de apresentações, festividades juninas e torneios esportivos do município. Como também era um principal ponto de encontro e lazer da juventude das décadas de 1970, 1980 e 1990 nos domingos à tarde. Pois, nos dias de semana, o local estava reservado às atividades escolares do Colégio Ambrósio Bini. Sendo também ali que se localizava o ponto final do ônibus Tamandaré/Curitiba. Era uma cancha praça. Já que de um lado do muro, se dispunha a cancha de concreto multimodalidades (futebol, basquete, voleibol e handebol), uma cancha de futebol de areia e uma pequena cancha de areia ao lado onde se jogava vôlei. No meio do terreno tinha uma casa, onde um lado se guardava as bolas, redes e outros materiais para a prática esportiva. Do outro lado ficava o vestiário (com chuveiro e banheiro). ´
No outro lado do muro, ficava os pontos (ônibus e taxi), a banquinha de doce, os bancos onde a turma ficava namorando e duas pedras fundamentais. Uma, que  o qual na época sentava em cima (tinha uns 12 anos de idade), e nem sabia o que estava escrito na placa de bronze. Sendo que, só fui descobrir no processo desta pesquisa que se tratava de uma homenagem prestada em outubro de 1985 pelo município, na época administrado pelo prefeito Ariel Buzzato, aos 14 Bravos de Almirante Tamandaré, que foram convocados para lutar na Segunda Grande Guerra. Os quais eram: Afonso Herberto Wolfergrand, Antonio Schartz, Bonifácio Wotekoski, Deodolino Souza, Eduardo Brunick, João Sachacheviski, Joaquim Arnaldo Franco Ribas, José Francisco dos Santos, José Guedes de Carvalho, José Mathozo da Silva, José Ribeiro Schulchaski, Jurandir Aleixo de Cristo, Pedro Chipanski e Roque de Cristo. Outra personalidade histórica que lutou na guerra, que não aparece na placa de bronze porque era filho de Colombo, porém, que mora em Almirante Tamandaré, a mais de 40 anos, é o senhor Pedro Goinski. Por sorte, tiveram a consciência de reservar um espaço na atual praça para a pedra que homenageia os nossos heróis de guerra nascido em solo tamandareense.          
Esta saudosa praça esportiva carregou uma história que reflete bem a ação de bem aventurados cidadãos que dedicaram uma parte de seu tempo ao bem de todos da comunidade. Inicialmente o terreno onde se encontrava a antiga cancha pertencia à prefeitura municipal, o qual teve origem na antiga sesmaria parcelada na década de 1950 que deu origem ao loteamento Santa Terezinha. Por ser uma área plana serviu por muito tempo como um campo de futebol. Posteriormente, para atender a pratica de Educação Física do recém-criado Colégio Ambrósio Bini, em substituição a denominação existente da Escola Normal Regional Alvarenga Peixoto, observou-se a necessidade de se construir uma quadra esportiva. Por iniciativa do professor José Schlichting (Professor Zeca) e da Diretora Rosa Bini de Oliveira foi desenvolvido um projeto para arrecadar fundos para a construção da quadra. Neste contexto, uma das formas de arrecadação foi à realização do Concurso da Rainha dos Minérios, o qual ocorreu nos anos de 1974, 1975 e 1976. A obra iniciou-se no final de 1974 e foi concluída no começo de 1975[1]. Na gestão do prefeito Ariel Buzzato, a cancha, se transformou em cancha-praça, sendo o local reservado a pratica esportiva, remodelado com um vestiário, refletores e quadras de areia.



[1]              Relato do Senhor José Schlichting, abril de 2011.

sábado, 9 de novembro de 2013

O MOIMENTO DO CALCÁRIO

A produção de calcário se difere da cal, pelo fato do minério extraído da pedreira, ser diretamente moído, sem a necessidade de ser queimado primeiramente nos fornos.
O moimento do minério bruto era até o ano de 1971 feito pelos gigantescos moinhos de bola. Os quais consumiam muita energia, sendo pouca a produção. Este moinho era uma caixa de 4m x 4m, onde se encontravam bolas de aço, que giravam, batendo nas pedras ali depositadas, até elas virarem pó.
Porém, com o advento do Calcário Santa Terezinha de propriedade dos senhores Albino Milek e Antonio Ilson Kotoviski, localizado na Av. Emilio Johnson, onde hoje se encontra a Loja de Ferragens Colodel, ocorreu uma revolução. Pois, o senhor Antonio Kotoviski, inspirado em um moinho de moer grãos, desenvolveu o primeiro protótipo do Moinho de Martelo (britador). Sendo que este pioneiro projeto foi levado ao metalúrgico Constante Bonatto, cujo, o mesmo, depois de muita insistência por parte de seu Antonio, começou a montar o moinho com grelhas de aço 1045 temperado e os martelos em aço manganês. Tinha apenas um diâmetro de 70 cm por 50 de largura.
Apesar do tamanho em relação aos gigantescos moedores de bola, este protótipo conseguiu a façanha de moer 4 vezes mais por hora o minério de calcário, com 50% menos energia empregada.

Devido a sua versatilidade, a Metalúrgica Rama tomou conhecimento deste moinho e posteriormente o desenvolveu maior e a um padrão industrial, sendo consequentemente vendidos para as novas fabricas que em Tamandaré se instalaram, ocasionando uma histórica “Corrida pelo Calcário”. Pois, com o advento do moinho de martelo, o custo para se montar uma empresa diminuiu muito, já que só o moedor de bola, custava 10 vezes mais que o revolucionário britador. Neste período, o numero de empresa de exploração de cal e calcário, instalada só no município tamandareense chegou a 33.
BRITADOR

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Água Mineral

Nem só do minério de calcário que se sustentou a economia mineral em Almirante Tamandaré. Eis, que a água mineral é uma das nossas mais importantes riquezas, com um futuro promissor. Pois, isto já era percebido já na década de 1950, onde no município foram encontradas duas fontes, em Tranqueira e em Pacotuba.
Uma das primeiras empresas a explorar esta riqueza foi a Água de Boixininga, e a Água de Pacotuba na década de 1950[1].
Porém, em 1962, na região de Tranqueira foi aberta as Águas Timbu, na época contando com apenas 5 funcionários  que engarrafam esta riqueza mineral em garrafas de vidro de 1litro. Contemporaneamente conta com mais de 90 funcionários[2].
Conforme revela a analise da água engarrafada Pacotuba, trata-se de uma água mineral alcalino-terrosa, sendo sua composição: Bicarbonato de Cálcio (HCO³)² na proporção de 0.1139 grs, Carbonato de Cálcio (CaCO³) na proporção de 0.0200 grs, Bicarbonato de Magnésio Mg (HCO³)² na proporção de 0.1184 grs e Sílica (SiO²) na proporção de 0.0095 grs. Esta avaliação seguia a Lei nº 16.300[3].



[1]              CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ....., p. 191.
[2]              ÁGUA MINERAL TIMBU. Empresa. Disponível em:< http://www.aguatimbu.com.br/empresa.shtml> Acesso em: 10 jan. de 2011. 
[3]              CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ...., p. 191. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Bairro Marianã

O Bairro de Marianã é uma região de povoamento centenário, desde o século XIX, porém de baixa demografia devido ao seu terreno. Sua denominação é uma antropotopônimia que surgiu da identificação do lugar fundada em uma curandeira que morava na região de nome Maria, com características físicas de anã. Diante deste fato, muitos moradores quando tinham que ir para a região expressavam: “estou indo para as terras de “Maria anã”. Ou seja, com o tempo esta palavra se tornou uma só Marianã. Sua área atua é de 3,96 km²

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Instalação do Município de Timoneira

Hoje 6 de novembro é um dia especial para Almirante Tamandaré porquê... 
Nove anos depois da extinção, na data de 11 de outubro de 1947, a Lei Estadual n° 02, inciso XXI, sancionada pelo Governador Legal em conformidade com a nova Constituição de 1946, Moyzés Wille Lupion de Tróia restaura a autonomia municipal, sendo seu território formado pelos Distritos Judiciários de Timoneira e Campo Magro. No entanto a solenidade de instalação oficial do município só ocorre em 06 de novembro do mesmo ano, tendo como palco a Velha Prefeitura segundo a “Ata da sessão de Instalação do Município de Timoneira”. 
Timoneira em 1945. Foto: Arquivo do Seminário Santo Antônio

terça-feira, 5 de novembro de 2013

ENSINO NO BAIRRO CAMPINA DO ARRUDA

A Escola Municipal Alvorada começou suas atividades em um barracão onde hoje esta instalada a Igreja São Pedro em 1980 quando foi criada com a denominação de Escola Rural Jardim Apucarana (contemporânea Escola Estadual Jardim Apucarana) que funcionava em um pequeno prédio que servia inicialmente para atender 125 alunos de ensino primário. Com o Ato Autorizatório nº 7489 de 24 de outubro de 1984, assinado pelo então Governador José Richa começou a funcionar de forma mais ampla. Pois, a demanda de alunos aumentou e a necessidade de estender o ensino a um nível maior já era notória. Neste contexto,  ocorre o inicio das obras para uma escola mais ampla no final do Governo José Richa sendo concluída em março de 1987 no Governo João Elísio Ferraz de Campos com recursos administrados pela Fundação Educacional do Estado do Paraná (FUNDEPAR). Em convênio com a prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré Gestão Ariel Adalberto Buzzato[1].
No inicio do ano letivo de 1991 começa a atender especificamente o ensino de 1º grau (atual Ensino Fundamental), no período noturno. Dois anos depois, em virtude do aumento da demanda de alunos de Ensino Fundamental, abre o período vespertino. No ano letivo de 2005 começou a funcionar no estabelecimento a modalidade do PAC – Ensino Médio, que atendeu inicialmente uma turma, no período noturno[2].
Porém, apesar de seu prédio ser Estadual a escola ainda funciona em regime de compartilhamento com a Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré. O qual cede o período diurno para as atividades educacionais de 1ª à 4ª série. Neste período a instituição funciona sob a denominação Escola Municipal Alvorada[3]. Que em 2007 atendeu 276 alunos.



[1]              REDE ESCOLA. Escola Estadual Jardim Apucarana. Disponível em:< http://www.attapucarana.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=9 > Acesso em: 14 mar. 2011.
[2]              Idem.
[3]              Idem.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

DESONESTIDADE E FALTA DE RESPONSABILIDADE NA PESQUISA HISTÓRICA

Prendo-me a observação de que muitos querem escrever a história da cidade, porém, poucos querem pesquisá-la, buscar e referenciar coerentemente de onde vieram tais informações e como se chegou até a elas (metodologia da pesquisa científica). Pois, se fizerem isto, irão enaltecer pessoas que realmente fizeram uma pesquisa, mas que não tiveram recursos para expor a mesma em forma de livro. Ou seja, não possuem a humildade de reconhecer que teve que fazer cópia (plágio). Pois, assumem compromissos, e no contexto de apresentar resultados acabam tendo que apelar a copiar na integra o trabalho alheio, pensando que ninguém está vendo.
Existem outros que por falta de conhecimento real da ciência História e seus procedimento acham que a oralidade é uma fonte absoluta de credibilidade e por efeito transformam a história do município em estórias que o povo conta. Se prende a ideologia e ao “achismo” de que possuem o “real” ponto de vista. Ou seja, transformam acontecimentos concretos e de notoriedade pública em lendas. E consequentemente distorcem o que lhe foi relatado. O efeito disso, é que quando um historiador sério vai fazer uma pesquisa, as pessoas ficam receosas de contar o que sabem, pois, se contarem o que realmente viram e viveram, serão tachadas indiretamente de mentirosas na visão hipócrita de “pseudo-historiador”. Resumindo, as portas se fecham para todos, por causa da má fé de aventureiros e pessoas sem rumo que passam por Tamandaré, que querem se enaltecer e tirar proveito de alguma oportunidade de lucro ou glória. Porém, quando se queimam se mando do município, viram história do livro da malandragem.  
E existem os que se apropriam indevidamente de documentos. Por exemplo, o rascunho do "Livro Tamandaré: contos e lendas de um povo", organizado pela professora Josélia Kotoviski. Quase se tornou obra de pessoas que se quer se esforçaram para produzi-lo, e que sumariamente ocultaria o nome de todos aqueles que colaboraram com relatos. Outro fato triste colhido em relatos no decorrer desta pesquisa que resumi bem este contexto, foi à apropriação indevida (furto) de um conjunto de três obras literárias produzidas pelo Senhor Luiz Fernando dos Santos (morador de Tamandaré que muitos anos trabalhou no Banestado). As quais eram observações criticas que denunciavam a ocultação de acontecimento e manipulação popular por detrás das noticias e da televisão. Segundo o relato, esta sua obra foi usada pela pessoa de má fé, até como parte de uma pesquisa cientifica. Porém, seu Luiz não pode fazer nada, pois o seu livro não havia sido registrado na Biblioteca Nacional, no entanto foi pela pessoa[1].
Também ocorrem que fotos antigas de arquivos familiares somirem
e aparecem em capas de guias, internet e ainda com o dizer: “foto pertencente ao arquivo de fulano de tal, reprodução protegida por lei”! Ou seja, as pessoas não deixam mais ver álbuns familiares, documentos pessoais, emprestar fotos ou permitir certos relatos. Porque além de certos seres se apropriarem indevidamente da foto, ainda se intitulam como donos.
Eu conto história. Porém, eu quero deixar um documento que possua o valor da credibilidade. Por este motivo, que exponho as minhas fontes nas notas de rodapé, referências e no contexto dos textos quando existe a possibilidade. Pois, eu não vivi antes de 1976, sendo assim, como é que eu poderia renegar o nome de quem me contou ou me informou o que ocorreu antes disso.



[1]              Relato de Luiz Fernando dos Santos, 22 de abril de 2011.

domingo, 3 de novembro de 2013

DIA DO SACI


Por desconhecimento de muitos, no dia 31 de outubro é comemorado o Dia do Saci-Pererê, o ser fantástico mais popular do Brasil. No entanto, na cidade de Almirante Tamandaré e região a sua popularidade é menor já que a maioria das histórias citam o Boitatá, Lobisomem, Fantasmas,..., talvez um reflexo da menor presença de escravos na região se comparado com outras regiões onde o Saci predomina nas histórias.
Porém, como a homenagem é para o Saci, será citado um fato que se liga leigamente e supersticiosamente as suas travessuras,  mas que na verdade é realizada por um mamífero que ganha destaque no contexto dos contos e lendas locais de forma indireta é o serelepe, como é relatado na obra histórica oral “Tamandaré: Contos e Lendas de um Povo”, elaborada e coordenada pela Mestra Josélia Kotoviski: Algumas pessoas antigas relatam “que quando é tempo de pinhão aqui em Almirante Tamandaré, os saci-pererês saem de noite para comer. Eles ficam em cima do pinheiro e comem até se encher. Por isto que quando as pessoas saíam para pegar pinhão encontravam alguns no chão e outros comidos”. Ou seja, este pinhão comido caído, é na verdade o resto que o serelepe comeu, que é um animal típico da floresta de araucária.
Serelepe (Sciurus ingrami)/Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, 2013.

sábado, 2 de novembro de 2013

CEMITÉRIOS E SEPULTAMENTOS

Um assunto interessante que chama atenção é o sepultamento de entes queridos. Pois, houve um tempo na cidade em que isto era um problema. Pois, até a década de 1930, não existia cemitério na Sede. Diante disto, muitas famílias enterravam seus familiares, no próprio terreno. Um exemplo, da dificuldade de se enterrar é a história da Capelinha do Pacotuba, de 1929, que em seu terreno foram muitas pessoas enterradas. Hoje uma parte desse terreno, virou rua. No entanto, as localidades do Marmeleiro, Tranqueira, Prado e Cachoeira já dispunham de cemitério desde o século XIX.
A falta de cemitério nesses tempos era notória e não exclusiva de Tamandaré. Pois, o único cemitério oficial existente na região era o de Tranqueira. No qual eram sepultados pessoas de Votuverava, Colônia Assungui e da Sede. O túmulo conservado mais antigo encontrado e preservado está datado de 1908.     

Com o advento do Seminário dos Padres Capuchinhos no Botiatuba na década de 1930, aparece outro cemitério. Porém, restrito a sepultamento de padres.
 Contava seu José Real Prado Sobrinho, nas visitas que fazia a mercearia de meu avô no Botiatuba, que no século XIX (1818, 1831 e 1838 até o começo do século XX), se desencadeou um surto de Bexiga (varíola) em Curitiba, o qual dizimou muitos moradores, tropeiros e pessoas que viajavam do litoral para o Assungui[1]. Ou seja, que passavam pela Freguesia do Pacotuba (Almirante Tamandaré). Diante deste fato, os que morreram com esta doença, foram enterrados no terreno que margeia a Wadislau Bugalski, próximo as atuais ruínas da Pedreira Botiatuba. Dona Noêmia Kotovski, confirmou tal relato, pois, ela dizia que quando foi morar no Botiatuba, tinha medo de passar pela região à noite, por causa dessa história, contatada por seu Zezinho e outros moradores já de idade que moravam na região, quando a dona Noêmia era moça. Atualmente, existem casas sobre este terreno.
Porém, um fato curioso, é o contado pelo Sr. Albino Milek. O qual relatou, que na época da II Guerra Mundial, quando um alemão ou descendente de alemão morria na Cachoeira, os poloneses da Colônia Antonio Prado não deixavam este serem enterrado no Cemitério do Prado. Em represaria a este fato, os alemães de São Venâncio não deixavam os poloneses falecidos serem enterrados no Cemitério da Cachoeira. Outra situação incompreensível para os dias atuais é que nas décadas anteriores a 1960, protestantes não podiam ser enterrados em cemitério de católicos e vice-versa[2]. Por este motivo que o cemitério da Cachoeira também é conhecido como “cemitério evangélico”.   
Outra situação marcante narrada por Albino Milek, era o sepultamento com esteira. Ou seja, como o caixão era caro, as pessoas mais humildes costumavam dispor o falecido sobre uma esteira, em seguida este era enrolado, e as pontas amarradas (como se fosse uma linguiça), em seguida era colocado na cova e coberto com terra. Isto tudo, feito na frente de todo mundo.
Nesta época, em que o caixão pronto era caro, existiam os carpinteiros que faziam caixão. Porém, este caixão era feito simultaneamente ao velório. Ou seja, enquanto o falecido era velado, o carpinteiro, ficava montando o caixão no quintal. Pelos relatos, dava uma sensação ruim presenciar tudo aquilo[3]. Seu Generoso Candido de Oliveira, também relatou que até 1930 não existia Cemitério na Sede, sendo que os sepultamentos eram feitos no próprio terreno[4].
No século XIX, pela falta de cemitérios na região, grande parte dos moradores da Lamenha inclusive os imigrantes eram sepultados no cemitério do Abranches. Cuja, a cruz que fica em cima do portão do cemitério foi doada pelo pai do Desembargador Isidoro Brzezinski, ou seja, o senhor Pedro (Piotr) Brzezinski[5].
Longe de apavorar as pessoas, vejo com certa preocupação, o desconhecimento da existência de antigos cemitérios não oficiais espalhados pelo município. Pois, independente de superstição ou respeito ao terreno sagrado, o que me preocupa são os falecidos por varíola ou outra moléstia grave que foram enterrados de qualquer jeito, em um local onde existe uma grande quantidade de água guardada no subsolo. Se esta preocupação procede ou não, isto eu não sei. Porém, como já presenciei enterros onde o falecido foi posto em caixão especial devido a sua moléstia. Ficam dúvidas sobre esta situação. Mesmo passando quase cento e quarenta anos do ocorrido.
Na primeira imagem mostra o exterior da Capela do Seminário Santo Antônio. Na segunda imagem aparece o interior da capela. Atrás dela se encontra o cemitério/Foto: acervo da Secretaria Municipal de Cultura.    


[1]              KUBO, Elvira Mari. Aspectos demográficos de Curitiba: 1801 – 1850. Dissertação de Mestrado, Departamento de  História, Setor de Ciências Humanas,  Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná: Curitiba, 1974, p. 106.
[2]              Relato de Valter Johson Bomfin, abril de 2011.
[3]              Relato de Otavio Kotoviski, em 2011.
[4]              Relato de Generoso Candido de Oliveira, 1998.
[5]              HAYGERT. Aroldo Mura G.  Vozes do Paraná: retratos de paranaenses/João Osório Brzezinski. 22 Ed. Curitiba: Convivium, 2009, p. 05. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

PRIMEIRO DEPUTADO A REPRESENTAR TAMANDARÉ NA PROVÍNCIA

Deputado e camarista Antonio Ennes Bandeira/Foto: Policia Militar do Paraná/Comandantes
Merece destaque o camarista: “Coronel” Antônio Ennes Bandeira, o qual se tornou Deputado Estadual pelo município no Biênio de 1891 e 1892[1]. Ano em que o Estado do Paraná era governado por uma Junta Governativa composta: por Roberto Ferreira, Bento José Lamenha Lins e Joaquim Monteiro de Carvalho e Silva. O qual antes de ser Camarista de Tamandaré e posteriormente deputado pela nova cidade. Foi o 7º Tenente  Coronel  da Guarda Nacional no período de 03 de abril de 1882 a 04 de setembro de 1885, atual Policia Militar[2]. Também foi Presidente (prefeito) da cidade e participou e assinou a ata de inauguração da Estrada de Ferro Norte do Paraná - Ramal Curitiba - Rio Branco do Sul. 




[1]              FERREIRA, João Carlos Vicente. O Paraná...., p. 117.
[2]              POLICIA MILITAR DO PARANÁ. Fotos de Comandantes. Disponível em: <http://www.pmpr.pr.gov.br/modules/galeria/fotos.php?evento=1&start=75> Acesso em 13 fev. 2011. 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

CRIANÇA DESAPARECIDA, COMPARTILHEM!


CONSIDERAÇÕES SOBRE LUGARES HOMÔNIMOS

É muito importante para qualquer historiador ou pesquisador possuir necessariamente conhecimentos geográficos regionais muito amplos e por efeito visitar os locais que esta pesquisando,... Pois, caso contrário pode recair em armadilhas, as quais resultam em erros graves. Um exemplo: a localidade Botiatuba. Eis que em muitos livros e documentos ela se apresenta como um arraial próximo à mina de ouro[1] e por coincidência vizinha ao Passaúna. Já em outros sem uma exposição geográfica se apresenta: “como terra doada em 1686, pelo Capitão-Mor governador Thomaz Fernandes de Oliveira ou Sr. Manoel Soares que era dono da região do atual Butiatuba vizinhas com a sesmaria de seu sogro D. Rodrigo e o Rio Passaúna”[2]. Ou seja, dentro de uma lógica parece que esta se tecendo sobre o Botiatuba tamandareense, já que este fica próximo a nascente do Rio Passaúna. E por este motivo se recai no erro de se tecer estas informações verídicas como se pertencentes à localidade. No entanto, esta informação esta equivocada.
Por que? Porque o Botiatuba que se esta se referindo é o que está localizado em Campo Largo (Botiatuva), ao lado das minas de Itambé. Porém, naquela época se escrevia Botiatuva que é o mesmo que Botiatuba, Butiatuva e Butiatuba. O qual era vizinho do Passaúna. Que fica próximo do Botiatuvinha. Ou seja, não basta verificar a veracidade da informação, se deve também verificar a posição geográfica e se não existe uma localidade homônima.    
Mas hipoteticamente, a área atual do Botiatuba tamandareense, poderia ter pertencido a essa sesmarias, a qual foi dividida com o tempo entre herdeiros de Baltazar Carrasco dos Reis e os herdeiros destes,... Pois, no século XVII as sesmarias eram de grandes extensões territoriais. E as divisas naquele tempo, eram demarcadas por marcos naturais (rio, colinas, campos,...). Este marco era o Rio Passaúna, o qual possivelmente foi estudado e investigado para ver se não existia ouro de aluvião no caminho  feito por ele. Tanto em a sua foz, quanto em direção de sua nascente. Como não seria surpresa, que a região do Botiatuba, derivou da área maior, a sesmaria de Butiatuba (atual Botiatuva em Campo Largo), que é separada pela área do Butiatuvinha (não muito longe um do outro, também derivada deste)[3].  Talvez seja este motivo que a região do Marmeleiro e Botiatuba já aparecem com povoamentos em meados do século XVIII e antes disto pelo número de pessoas existentes dentro de um contexto de “quarteirão” curitibano. por efeito nesta época existia Botiatuva na Vila do Principie (Araucária) e Campo Largo.  
Ou seja, só expus uma observação de considerações finais, sem ter conseguido uma prova concreta para tal fato, mesmo eu tendo tido o contato com fragmentos de escrituras e instrumentos de transferências e testamentos desta época. Pois, o problema aparecia pela falta de mapas precisos e no contexto homônimo de localidades, além do fato desses  documentos estarem dispersos entre os cartórios da Comarca de Campo Largo, Curitiba, Paranaguá, Arquivo Público e museus restritos, fora os que se perderam com o tempo por indevida conservação. Ou seja, como expressei inicialmente, estes fatos eram tão comuns, que ninguém se dava conta que um dia seria histórico, por isto ninguém cuidou adequadamente. A mentalidade de preservação de acontecimento cotidiano é um fato tímido, indireto, recente e restrito a certas pessoas. Não é uma mentalidade geral e difundida. Por este motivo que esta observação não aparece nos capítulos iniciais. E não deve ser considerada como verídica ou plausível.
No entanto o Botiatuba tamandareense foi uma área de sesmaria (mas de quem inicialmente?) e seu nome tem origem na língua tingui. Isto é fato. 


[1]              WACHOWICZ, Ruy Christovam. História do Paraná. 9. ed. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2001, p. 62-63.
[2]          STANCZYK FILHO, Milton. Alianças Matrimoniais e Estratégias de Bem Viver no Espaço Social da Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba (1690 – 1790). Universida Federal do Paraná, trabalho apresentado no XIII Encontro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais, realizado em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil de 4 a 8 de novembro de 2002, p. 10-11. 
[3]              NEGRÃO. Francisco. Boletim  do Archivo Municipal de Curytiba/Documentos para a história do Paraná/Fundação da Villa de Curytiba 1668-1745. Vol.VII, Curytiba, Livraria Mundial, 1924, p. 07-09. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Professora Rosa Frederica Johnson

A Professora Rosa Frederica Johnson é patronesse da contemporânea escola estadual que carrega seu nome, localizada na Rua João Antunes de Lara, 333, Cachoeira. A professora Rosa, nasceu em 15 de julho de 1930, onde já jovem entrou para o magistério, tendo como característica o idealismo e a vocação para o ensino. Lecionou em tempos que o transporte público não existia, e sua locomoção até as escolas que lecionava era feita a pé. Pelo seu exemplo de determinação e força para enfrentar estes desafios e nunca esmorecer, no ano de 1980 como homenagem, foi fundada e inaugurada à instituição estadual que a imortalizou como patronesse da escola que lecionou por muitos anos. Faleceu ainda jovem, com 49 anos no dia 1º de abril de 1979[1].


(Professora Rosa Frederica Johson, aluna das professoras Maria Luiza Johson, Norma M. Kruger, Alda Doris de Siqueira, Mair Taborda Ribas, Noeli Zuleika Busato e os professores Francisco Tiago da Costa e João Roque Tosin, Diretora Rita S. Siqueira/Foto publicada BRASINHA, novembro  de 2003).

[1]              BRASINHA (Informativo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição). Professora Rosa Frederica Johnson/Elly Furquim Stocchero. Ano IV, novembro  de 2003.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma

Entre as doutrinas protestantes na cidade, se destaca a Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma, fundada em 1914, porém, que se estabeleceu permanentemente no município a partir de 1986, quando na região do Botiatuba foi construído um templo para atender as necessidades religiosas da crescente comunidade adventista presente na localidade. Este templo teve como cerimônia inicial o casamento do senhor Nelson Devai com a senhora Patrícia Thomé filha do pioneiro casal fundador e propagador da doutrina Adventista na região, o Senhor e Pastor Antonio Thomé e a Senhora Halina Jadwiga Grus Thomé[1].  Antes da construção desta, os cultos eram realizados na sua Sede em Curitiba junto a Rua Davi Carneiro.
No entanto, este destaque não se reverte exclusivamente ao fato da fundação de mais uma doutrina cristã que prega a paz, harmonia e a preservação dos bons costumes. Mas sim, pelo fato desta comunidade ter desenvolvido na região ações que vão além de palavras. Pois, inicialmente antes do surgimento do templo, o visionário Antonio Thomé resolveu criar um hospital naturalista e terapias alternativas a partir de experiências colhidas na Argentina. Sendo assim em 1974 ocorreu a compra do terreno onde contemporaneamente se encontra o Hospital Naturalista Oasis Paranaense. Porém, a construção do mesmo só se iniciou em 1976 sendo concluído em outubro de 1980 e iniciado seu funcionamento em setembro de 1981. Os recursos para o desenvolvimento da obra foram obtidos através de contribuições espontâneas, através de um carne de sócio fundadores e recursos mais vultuosos de seus idealizadores: Antonio Thomé, Elias de Souza, Aderval P. da Cruz, Antonio Xavier, Jorge Grus, Manoel Schwab, Halina J. Grus Thomé. Sendo o primeiro médico responsável o senhor Edivaldo P. Baracho. 
Com o advento e consolidação do Hospital foi criada na mesma região a Escola Missionária Ebenezer, sendo que em 1994 para atender a comunidade foi criada uma Escola de Ensino Fundamental, a qual abriu suas portas a pessoas de fora da comunidade. Surgi a partir deste fato a Escola Isaac Newton que conta atualmente com 400 alunos, a qual possui matriz com a mesma ideologia e nome em São Paulo[2].

Igreja Adventista fundada em 1986/Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, março 2011. 


[1]              Relatos da senhora Halina Thomé, Dr. Elias de Souza e placa comemorativa de fundação do hospital em 02 de março de 2011.
[2]              Idem.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

PARABÉNS CIDADE DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Cento e vinte e quatro anos de história. Uma história de muitos capítulos que se contradizem até nas datas festivas. Pois, oficialmente pela  Lei Municipal nº 31/1989 ficou definida que a data comemorativa de emancipação municipal seria 28 de outubro de 1889 que simbolizava a data de criação do município instituída pela Lei Provincial n° 957 de 28 de outubro de 1889.

A citada lei municipal ocorreu em virtude das comemorações do Centenário do Município em 1989. Porém, antes do advento da lei municipal, a data festiva era 11 de outubro, correspondente ao episódio em que a cidade voltou a ser autônoma em decorrência da Lei Estadual n° 02, inciso XXI de 11 de outubro de 1947.

Independente se a cidade de Almirante Tamandaré é “libriana ou escorpiana”, o importante é que ela tem muita história para contar.


Parabéns minha amada terra.    
Portal (trevo que liga a Av. Emilio Johnson com a Rodovia dos Minérios) inaugurado em 1999
Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, março de 2002.

domingo, 27 de outubro de 2013

MOEDA INFORMAL

Na década de 1950 existiam na cidade 62 estabelecimentos comerciais (armazéns, mercearias e bares)[1]. Nesta época (e anterior a ela) o sistema de cobrança de imposto tinha uma particularidade, pois, o comerciante registrava as vendas em um livro, onde posteriormente era calculado o imposto, o qual deveria ser pago com a compra de selos na coletoria, que eram colados nestes livros e carimbados. Estes selos até eram coloridos sendo que cada cor representava um valor. Com o advento da autonomia da cidade com a denominação de Timoneira, o selo possui como gravura em cor única o brasão da atual da cidade. Ou seja, o atual Brasão, pelas características nele impressas, e pela restauração dos símbolos municipais e estaduais com o fim do período Vargas, tudo leva a possibilidade que o Brasão Municipal tenha sido criado já no final da década de 1940. Já os selos anteriores, carregavam o antigo Brasão do Estado do Paraná.
Curiosamente estes selos tarifários comprados na Coletoria também funcionavam informalmente como moeda corrente.
O primeiro selo foi utilizado a partir 1948, observem o detalhe do brasão. Já  o segundo e o terceiro eram os selos utilizados na década de 1930, porém estes eram confeccionados pelo Estado.



[1]              ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Almirante Tamandaré.  IBGE, Vol. XXXI Paraná,  Rio de Janeiro, 1959, p. 26.

sábado, 26 de outubro de 2013

Igreja Nossa Senhora do Rocio

Uma realidade que fazia parte das comunidades tamandareenses até meados da década de 1960 era a falta de capelas. Sendo que a celebração de Eucaristia geralmente era feita na casa de algum morador da comunidade local. Uma dessas localidades que conviveu com esta situação foi o Juruqui. No entanto, toda vez que as celebrações terminavam corria a ideia de se construir uma capela. Porém, foi no meio de um jogo de cartas, que começou a se discutir um projeto para concretizar aquele sonho da localidade. Neste contexto, um grupo de moradores foi falar com o pároco que na época era o tamandareense Frei Vital Basso[1].
Tal ideia repercutiu bem, sendo que de imediato os Senhores Francisco Meguer e José Júlio Meguer, doaram o terreno para a construção. Posteriormente a este fato, foi realizado no local na data de 22 de setembro de 1962 a 1ª Missa e a bênção solene da pedra fundamental. Sendo que a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi doada pelo Senhor Atílio Bini que saiu em procissão da Sede até o Juruqui[2].
Foram os pioneiros idealizares e fundadores da Igreja Nossa Senhora do Rocio no Juruqui: Presidente, Francisco Sandri; Vice-Presidente, Francisco Meguer; Tesoureiro, Francisco Manfron; Conselheiros: Antonio Bernardo, Antonio Straiotto, Antonio Sandri, Abílio de Moraes, Lício de Moraes e outros[3].
A Igreja Nossa Senhora do Rocio ficou pronta em 1965.
Contemporânea Igreja Nossa Senhora do Rocio no Bairro do Juruqui /Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, de abril 2011.

[1]              ESCOLA ESTADUAL LAMENHA PEQUENA. Projeto: A evolução do Bairro Lamenha Pequena/Professora Paula Fabiane Manfron. 1999.
[2]              Idem.
[3]                                                                                                                                                                                  Idem.               

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Alimentação dos pioneiros.

Até a segunda metade do século XIX, que os habitantes da futura cidade de Tamandaré, localizado no primeiro Planalto Paranaense, se alimentavam especificamente de milho, feijão, arroz e mandioca. Que eram considerados produtos típicos de primeira necessidade, além do mate e naturalmente da carne e derivados (suína, bovina, caprina e de aves)[1]. Porém, isto não era uma alimentação exclusiva dos moradores da região do atual Tamandaré, mas sim, de todos os moradores da região da província paranaense que já possuíam estes hábitos alimentares desde os tempos da formação da colônia. Mas isto só mudou com a chegada do imigrante camponês europeu, que introduziu novas culturas e técnicas agrícolas[2], como também o próprio crescimento da população, que obrigou a produção em grande escala. Foi neste contexto, que Tamandaré em seus primórdios como Vila autônoma, se sustentou economicamente e posteriormente até a década de 1990, como cidade tipicamente de economia agrária.    

Farinha de milho (Biju), ingrediente de muitos pratos típicos, como o pichê.  



[1]              SANTOS. Carlos Roberto Antunes dos. Vida Material e econômica. Curitiba: SEED, 2001, p. 82.
[2]              Idem.